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terça-feira, 9 de agosto de 2016

Sistema de Transcrição para a LIBRAS

 Sistema de Transcrição para a LIBRAS


As línguas de sinais tem características próprias e por isso vem sendo utilizado mais o vídeo para sua reprodução à distância. Existem sistemas de convenções para escrevê-las, mas como geralmente eles exigem um período de estudo para serem aprendidos, neste livro, estamos utilizando um "Sistema de notação em palavras".
Este sistema, que vem sendo adotado por pesquisadores de línguas de sinais em outros países e aqui no Brasil, tem este nome porque as palavras de uma língua oral-auditiva são utilizadas para representar aproximadamente os sinais.
Assim, a LIBRAS será representada a partir das seguintes convenções:
1. Os sinais da LIBRAS, para efeito de simplificação, serão representados por itens lexicais da Língua Portuguesa (LP) em letras maiúsculas. Exemplos: CASA, ESTUDAR, CRIANÇA, etc;
2. um sinal, que é traduzido por duas ou mais palavras em língua portuguesa, será representado pelas palavras correspondentes separadas por hífen. Exemplos: CORTAR-COM-FACA, QUERER-NÃO "não querer", MEIO-DIA, AINDA-NÃO, etc;
3. um sinal composto, formado por dois ou mais sinais, que será representado por duas ou mais palavras, mas com a idéia de uma única coisa, serão separados pelo símbolo ^ . Exemplos: CAVALO^LISTRA “zebra”;
4. a datilologia ( alfabeto manual), que é usada para expressar nome de pessoas, de localidades e outras palavras que não possuem um sinal, está representada pela palavra separada, letra por letra por hífen. Exemplos:
J-O-Ã-O, A-N-E-S-T-E-S-I-A;
5. o sinal soletrado, ou seja, uma palavra da língua portuguesa que, por empréstimo , passou a pertencer à LIBRAS por ser expressa pelo alfabeto manual com uma incorporação de movimento próprio desta língua, está sendo representado pela datilologia do sinal em itálico. Exemplos: R-S “reais”, A-C-H-O, QUM “quem”, N-U-N-C-A, etc;
6. na LIBRAS não há desinências para gêneros (masculino e feminino) e número (plural), o sinal, representado por palavra da língua portuguesa que possui estas marcas, está terminado com o símbolo @ para reforçar a idéia de ausência e não haver confusão. Exemplos: AMIG@ “amiga(s) e amigo(s)” , FRI@ “fria(s) e frio(s)”, MUIT@ “muita(s) e muito(s)”, TOD@, “toda(s) e todo(s)”, EL@ “ela(s), ele(s)”, ME@ “minha(s) e meu(s)” etc;
7. Os traços não-manuais: expressões facial e corporal, que são feitos simultaneamente com um sinal, estão representados acima do sinal ao qual está acrescentando alguma idéia, que pode ser em relação ao:
a) tipo de frase ou advérbio de modo: interrogativa ou... i ... negativa ou ... neg ... etc
Para simplificação, serão utilizados, para a representação de frases nas formas exclamativas e interrogativas, os sinais de pontuação utilizados na escrita das línguas orais-auditivas, ou seja: !, ? e ?!
b) advérbio de modo ou um intensificador: muito rapidamente exp.f "espantado" etc;
interrogativa exclamativo muito
Exemplos: NOME ADMIRAR LONGE
8. os verbos que possuem concordância de gênero (pessoa, coisa, animal), através de classificadores, estão representados tipo de classificador em subescrito. Exemplos: pessoaANDAR, veículoANDAR,
coisa-arredondadaCOLOCAR, etc;
9. os verbos que possuem concordância de lugar ou número-pessoal, através do movimento direcionado, estão representados pela palavra correspondente com uma letra em subscrito que indicará:
a) a variável para o lugar: i = ponto próximo à 1a pessoa,
j = ponto próximo à 2a pessoa,
e k' = pontos próximos à 3a pessoas,
e = esquerda,
d = direita;
b) as pessoas gramaticais: 1s, 2s, 3s = 1a, 2a e 3a pessoas do singular;
1d, 2d, 3d = 1a, 2a e 3a pessoas do dual;
1p, 2p, 3p = 1a, 2a e 3a pessoas do plural;
Exemplos: 1s DAR2S "eu dou para "você",
2sPERGUNTAR3P "você pergunta para eles/elas",
kdANDARk,e "andar da direita (d) para à esquerda (e).
10. Às vezes há uma marca de plural pela repetição do sinal. Esta marca será representada por uma cruz no lado direto acima do sinal que está sendo repetido:
Exemplo: GAROTA +
11. quando um sinal, que geralmente é feito somente com uma das mãos, ou dois sinais estão sendo feitos pelas duas mãos simultaneamente, serão representados um abaixo do outro com indicação das mãos: direita (md) e esquerda (me).
Exemplos: IGUAL (md) PESSO@-MUIT@ANDAR (me)
` IGUAL (me) PESSOAEM-PÉ (md)
Estas convenções vem sendo utilizadas para poder representar, linearmente, uma língua espaço-visual, que é tridimensional. Felipe (1988, 1991,1993,1994,1995,1996)
fonte: http://www.ines.gov.br/ines_livros/37/37_003.HTM

Formação dos Ítens Lexicais ou Sinais a partir de Morfemas

Formação dos Ítens Lexicais ou Sinais a partir de Morfemas


Mostramos, no item anterior, como se estruturam as palavras das línguas Portuguesa e LIBRAS a partir de suas unidades mínimas distintivas ou “fonemas”. Vamos ilustrar agora como se formam as palavras da LIBRAS a partir de seus morfemas ou unidade mínimas de significação.
1.2.1. Morfemas Lexicais e Morfemas Gramaticais
Os morfemas são unidades que podem ter funções lexicais ou gramaticais. Por exemplo, as palavras casas, construção e impossível do português são constituídas dos seguinte morfemas:
casa - s (plural)
constru- ção (nome)
possível- im (negação)
morfema lexical morfema gramatical
Em LIBRAS, nem sempre os morfemas que formam as palavras são equivalentes aos do português. Podemos, porém, ilustrar os morfemas da LIBRAS como se segue:
SENTAR - movimento repetido (marca de nome)
BONITO - expressão facial ~~ (marca de grau aumentativo)
BONITO - expressão facial Ô (marca de grau diminutivo)
FALAR - 2 mãos e movimentos longos (aspecto continuativo)
PEGAR - Cl:5 Classificador para objetos redondos grandes
PEGAR - Cl:F Classificador para objetos pequenos e pequenos
PODER - movimentos da cabeça (negação): NÃO-PODER
POSSÍVEL - movimento inverso das mãos (negação): IMPOSSÍVEL
SABER - movimento da mão para fora (negação): NÃO-SABER
morfema lexical morfema gramatical



1. 2. 2. Formação de Palavras por Derivação e por Composição
As ilustrações acima são exemplos de formação de palavras por derivação. CADEIRA é derivado de SENTAR através do movimento repetido do primeiro; BONITINHO é derivado de BONITO através da adjunção da expressão facial ~~ , marca de grau aumentativo; BONITÃO é derivado de BONITO através da adjunção do afixo expressão facial Ô, marca de grau diminutivo; FALAR-SEM-PARAR é derivado de FALAR através da adjunção da mão esquerda e do alongamento dos movimentos, marca de aspecto continuativo; PEGAR-BOLA é derivado de PEGAR através da adjunção do afixo Cl:5, classificador para objetos redondos grandes; PEGAR-AGULHA é derivado de PEGAR através da afixação do morfema gramatical Cl:F, classificador para objetos pequenos e pequenos; NÃO-PODER é derivado de PODER através do afixo negativo, movimentos da cabeça para os lados; IMPOSSÍVEL é derivado de POSSÍVEL através da inversão do movimento de para baixo para os lados, afixo também negativo; NÃO-SABER e derivado de SABER através da afixação de um movimento da mão para fora, morfema negativo também.
Através desses exemplos, pudemos observar que as primeiras palavras são formadas a partir de seus radicais aos quais se juntam afixos ou morfemas gramaticais, pelo processo de derivação. As palavras ou sinais em LIBRAS também podem ser formadas pelo processo de composição, isto é, pela adjunção de dois sinais simples em formas compostas. Por exemplo:
CASA + CRUZ = IGREJA
MULHER + PEQUENO = MENINA
HOMEM + PEQUENO = MENINO
Alguns sinais como SENTAR e CADEIRA são distintos quanto à forma para as categorias verbo e nome, porém, a maioria deles não se distingue quanto às categorias verbo, nome, adjetivo e advérbio. O que vai definí-las como tal é sua função na sentença. Podemos, entretanto, ilustrar alguns casos de palavras que poderiam ser derivadas de outras como é o caso de construir e construção, em português. Por exemplo, nas sentenças abaixo, identificamos um mesmo item lexical como nome ou verbo, dependendo da sentença em que aparecem:
ELE NÃO LIMPAR-CHÃO-Cl:Y (com escova)
(=Ele não limpou com escova o chão)
ELE LIMPAR-CHÃO-Cl:Y (com escova) NÃO-Y
(=Ele não fez a limpeza do chão com a escova)
No primeiro exemplo, o item lexical LIMPAR-CHÃO-Cl:Y tem uma função verbal. Entretanto, na segunda sentença, LIMPAR-CHÃO-Cl:Y tem uma função nominal, ou seja, é um substantivo porque vem acompanhado de um verbo leve, NÃO-Y, que devido à sua natureza de verbo sem valência não pode ser considerado um nome. Neste caso, como os verbos chamados leves sempre vêm acompanhados de um nome e como o único item capaz de preencher esta função nominal é o sinal LIMPAR-CHÃO-Cl:Y, diremos que ele pode pertencer a ambas categorias:
LIMPAR-CHÃO-Cl:Y - verbo
LIMPAR-CHÃO-Cl:Y - nome
O mesmo ocorre com as demais categorias: adjetivo, advérbio.

O Universal nas Línguas

1. O Universal nas Línguas


Pesquisas sobre as línguas de sinais vêm mostrando que estas línguas são comparáveis em complexidade e expressividade a quaisquer línguas orais. Estas línguas expressam idéias sutis, complexas e abstratas. Os seus usuários podem discutir filosofia, literatura ou política, além de esportes, trabalho, moda e utilizá-la com função estética para fazer poesias, estórias, teatro e humor.
Como toda língua, as línguas de sinais aumentam seus vocabulários com novos sinais introduzidos pelas comunidades surdas em resposta à mudanças culturais e tecnológicas.
As línguas de sinais não são universal, cada língua de sinais tem sua própria estrutura gramatical Assim, como as pessoas ouvintes em países diferentes falam diferentes línguas, também as pessoas surdas por toda parte do mundo, que estão inseridos em “Culturas Surdas”, possuem suas próprias línguas, existindo portanto muitas línguas de sinais diferentes, como: Língua de Sinais Francesa, Chilena, Portuguesa, Americana, Argentina, Venezuelana, Peruana, Portuguesa, Inglesa, Italiana, Japonesa, Chinesa, Uruguaia, Russa, Urubus-Kaapor, citando apenas algumas. Estas línguas são diferentes uma das outras e independem das línguas orais-auditivas utilizadas nesses e em outros países, por exemplo: o Brasil e Portugal possuem a mesma língua oficial, o português, mas as línguas de sinais destes países são diferentes, o mesmo acontece com os Estados Unidos e a Inglaterra, entre outros. Também pode acontecer que uma mesma língua de sinais seja utilizada por dois países, como é o caso da língua de sinais americana que é usada pelos surdos dos Estados Unidos e do Canadá.
Embora, surdos de países com línguas de sinais diferentes comunicam-se mais rapidamente uns com os outros, fato que não ocorre entre falantes de línguas orais, que necessitam de um tempo bem maior para um entendimento. Isso se deve à capacidade que as pessoas surdas têm em desenvolver e aproveitar gestos e pantomimas para a comunicação e estarem atentos as expressões faciais e corporais das pessoas.
A Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) é a língua de sinais utilizada pelos surdos que vivem em cidades do Brasil onde existem comunidades surdas, mas além dela, há registros de uma outra língua de sinais que é utilizada pelos índios Urubus-Kaapor na Floresta Amazônica.
A LIBRAS, como toda língua de sinais, é uma língua de modalidade gestual-visual porque utiliza, como canal ou meio de comunicação, movimentos gestuais e expressões faciais que são percebidos pela visão; portanto, diferencia da Língua Portuguesa, que é uma língua de modalidade oral-auditiva por utilizar, como canal ou meio de comunicação, sons articulados que são percebidos pelos ouvidos. Mas as diferenças não estão somente na utilização de canais diferentes, estão também nas estruturas gramaticais de cada língua.
Embora com as diferenças peculiares a cada língua, todas as línguas possuem algumas semelhanças que a identificam como língua e não linguagem como, por exemplo, a linguagem das abelhas, dos golfinhos, dos macacos, enfim, a comunicação dos animais.
Uma semelhança entre as línguas é que todas são estruturadas a partir de unidades mínimas que formam unidades mais complexas, ou seja, todas possuem os seguintes níveis lingüísticos: o fonológico, o morfológico, o sintático, o semântico e o pragmático.
No nível fonológico, as línguas são formadas de fonemas. Os fonemas só têm valor contrastivo, não têm significado mas, a partir das regras de cada língua, se combinam para formar os morfemas e estes as palavras.
Na língua portuguesa, os fonemas I m I I n I I s I I a I I e I I i I podem se combinar e formar a palavra I meninas I.
No nível morfológico, esta palavra é formada pelos morfemas {menin-} {-a} {-s}. Diferentemente dos fonemas, cada um destes morfemas tem um significado: {menin-} é o radical desta palavra e significa “criança”, o morfema {-a} significa “gênero feminino” e o morfema {-s} significa “plural”.
No nível sintático, esta palavra pode se combinar com outras para formar a frase, que precisa ter um sentido em coerência com o significado das palavras em um contexto, o que corresponde aos níveis semântico (significado) e pragmático (sentido no contexto: onde está sendo usada) respectivamente.
Outra semelhança entre as línguas é que os usuários de qualquer língua podem expressar seus pensamentos diferentemente por isso uma pessoa que fala uma determinada língua a utiliza de acordo com o contexto: o modo de se falar com um amigo não é igual ao de se falar com uma pessoa estranha. Isso é o que se chama de registro. Quando se aprende uma língua está aprendendo também a utilizá-la a partir do contexto.
Outra semelhança também é que todas as línguas possuem diferenças quanto ao seu uso em relação à região, ao grupo social, à faixa etária e ao sexo. O ensino oficial de uma língua sempre trabalha com a norma culta, a norma padrão, que é utilizada na forma escrita e falada e sempre toma alguma região e um grupo social como padrão.
Ao se atribuir às línguas de sinais o status de língua é porque elas, embora sendo de modalidade diferente, possuem também estas características em relação às diferenças regionais, sócio-culturais, entre outras, e em relação às suas estruturas que também são compostas pelos níveis descritos acima.
fonte: http://www.ines.gov.br/ines_livros/37/37_001.HTM

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Adjetivos

São sinais que se apresentam na forma neutra, não havendo, portanto,nem marca para genero( masculino/feminino) nem marca para número( singular/plural).
Geralmente aparecem na frase após o substantivo que qualificam.
Ex: GATO PEQUENO COR BRANCO ESPERTO.
     " O gato é pequeno, branco e esperto".


Polissemia.......
 Sinais que denotam vários significados apesar de apresentarem uma única forma em Libras. Ex: Ocupado/ proibido /. Açúcar / doce/guardanapo

domingo, 30 de agosto de 2015

Genero (Feminino/Masculino)

Não há flexão de genero em Libras.
Entretanto, quando se quer explicitar substantivos dentro de determinados contextos, a indicação do sexo é feita pospondo-se o sinal " homem/mulher", indistintamente para pessoas e animais, ou a indicação é obtida através de sinais diferentes para um e para outro sexo.

Adjetivos, artigos, pronomes e numerais não apresentam flexão de genero, apresentando-se em forma neutra. Esta forma neutra está representada pelo símbolo @.
Ex: amig@, solteir@, muit@

Sinais compostos

Formação de Palavras



Sinais Compostos:

Teremos compostos de palavras no qual um elemento será o principal- núcleo- e um elemento será o especificador - o adjunto.
Teremos dois ou mais elementos especificadores  de uma palavra núcleo.

Ex: ZEBRA= cavalo^listras
AÇOUGUEIRO= homem^vender^carne
FAQUEIRO= caixa^guardar^colher^garfo^faca

Em alguns casos , quando ao sinal acrescenta-se outro o mesmo passa a ter outro significado.

Ex: Pílula
pilula^evitar^grávida= anticoncepcional
pílula^calma= calmante
pílula^dor^cabeça= analgésico

Médico:
médic@^sexo= ginecologista
médic^olho= ofalmologista
médic@^criança= pediatra
médic@^coração= cardiologista

Role-Play


Este é um recurso muito usado em Libras quando os surdos estão desenvolvendo a narrativa. O sinalizador coloca-se na posição dos personagens referidos na narrativa , alternando  com eles em situações de diálogos ou ação.